Olhei para a direita e tu não estavas. Olhei para a esquerda e encontrei o mesmo cenário. Chamei por ti, gritei o teu nome mas tudo o que obtive foi o mais puro dos silêncios. Não havia vestígios teus, um bilhete, nada. Só restava o espaço que dantes tinhas ocupado. Senti-me confusa, perdida até. Não percebia o porquê da tua ausência mas aos poucos as nuvens começaram a destapar o sol, como depois de uma tempestade de Verão. E então percebi que não sabia quando tinhas partido. As memórias são claras como se fossem de ontem, mas serão? Acho que não. Um acho sem nenhuma certeza, um acho que pode ser ou não. Não sei se tenho saudades tuas ou apenas medo que nunca regresses e digo isto sem ter a certeza se anseio ou não pelo teu regresso. Se regressares ninguém me garante que não te vás embora outra vez e se não regressares o tempo vai apagando as tuas pegadas no meu caminho. Aquele caminho que está marcado com dois pares de passos, quatro pés que caminharam juntos no pó solto da terra quente do Verão e na neve gelada do Inverno. São pegadas que umas vezes mais juntas do que outras eram sempre visíveis lado a lado e deixaram de o ser. As tuas pegadas já não acompanham as minhas! Para onde terás ido?
Imperfect
Perfection is just an illusion
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Um farol traz a promessa de um porto seguro, de terra firme, quem sabe de uma salvação. E se a luz se apaga? Continuas à deriva...
Uma montanha esconde a ilusão de algo mais, um El Dourado, quiçá o teu paraíso. E se por detrás de toda aquela monstruosidade rochosa houver apenas mais do mesmo? Continuas perdido num qualquer caminho...
Um oceano acena com a imensidão do desconhecido, da paz. E se o outro lado nunca chegar? Continuas a afogar-te no mar e em ti próprio...
Um desconhecido ergue-se no horizonte, pode ser um futuro amigo. E se passar sem dizer uma palavra? Continuas com as pessoas que tinhas, ou talvez sozinho...
Uma estrela brilha no céu, ouve sem perguntas e interrupções. E se ela não responde porque não te ouve? Continuas a falar-lhe, porque não te entende mas não te julga...
Uma folha de papel guarda consigo os maiores segredos. E se alguém a lê? Continuas a escrever-lhe, mas esconde-la melhor...
Uma almofada enxuga-te as lágrimas. E se alguém te ouve soluçar? Vai seguir em frente e deixar-te com a almofada para não ter de ocupar o seu lugar. Because "Nobody cares!"
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Finalmente voltaste! Tinha saudades tuas e do cheiro que trazes contigo. Só tu consegues fazer-me sentar sempre aqui, neste cantinho onde a luz da lua ilumina timidamente estas teclas, só tu me fazes cantar em surdina músicas que gritam para dentro do crânio que só se esvazia em situações como estas. A verdade é que tinha saudades do conjunto letras, calor e música.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
As malas enchem-se, as prateleiras esvaziam-se, o coração aperta. Encontram-se pedaços de papéis, com pedaços de conversas que são pedaços de memórias. E nada é como era. O fim é triste, fim que ainda não acabou mas que para lá caminha a passos de gigante. E como formigas que somos não podemos pará-lo. Queria poder gritar-lhe, obrigá-lo a parar só mais um bocadinho, afinal não precisava de andar tão depressa, podia ter-me dado o prazer de mais uns momentos de tranquilidade, nem que fosse uma tranquilidade fingida, nem que fosse uma tranquilidade momentânea. Mas não, há medida que cada livro é retirado da estante é uma memória que se perde, um momento que fica ainda mais distante no tempo. E apesar de a maioria das memórias não se perder porque não residem só em mim, sei que apenas posso contar com as que levo. E são tão poucas, algumas tão dispersas e difusas como se não tivesse lá estado, como se fosse apenas um sonho em que se observa como um mero espectador de um filme no cinema em que por mais que grites aos actores para se desviarem porque vão ser atacados eles não de mexem e continuam na sua feliz ignorância. Algumas memórias são como fantasmas, em que lhes sentes a presença mas não tens a certeza que de facto lá estão. E assim se passam as horas entre coisas físicas ou frutos da imaginação, assim se passam as horas, assim se passam os dias, assim se passam as semanas, assim se passam os meses, assim se passam anos. Assim passaram os anos.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Gosto do movimento da cidade! Da forma como os apressados
conduzem de maneira agressiva e apitam aos que com toda a calma do mundo deambulam
ao volante por entre rotundas e cruzamentos. E aposto que muitos são aqueles
que não tendo um sitio realmente para onde ir, aqueles que, tal como eu, gostam
simplesmente de andar pela cidade ao volante, rezam para que o trânsito
esteja um caos para poder ouvir aquela música que passa no rádio antes de
chegar a casa.
E depois há os que andam a pé. Ou porque são mais amigos do
ambiente ou porque o preço dos combustíveis está pela hora da morte. E a passos
lentos ou apressados, de fones nos ouvidos ou a ouvir o barulho da cidade que
se faz sentir nesta hora no centro da Veneza portuguesa, encaminham-se para
casa, ou para qualquer ouro lugar.
Eu, que sou uma pessoa estranha, gosto de ficar a observar
as pessoas nas suas rotinas, a imaginar o que lhes passará pela cabeça neste
momento em que a chuva ameaça cair a qualquer instante e mesmo assim não está
frio. Alguns serão aqueles que não têm na cabeça mais do que a música que
ouvem, outros serão que pensam no trabalho, nos filhos, no marido/mulher, no
namorado/a, em dinheiro, na crise, em sexo.
Não interessa o que lhes passa na cabeça, interessa observar
a forma como andam. E enquanto uns andam de cabeça erguida como se desfilassem
numa passerelle outros são que caminham cabisbaixos ou porque a vida não é o
sonho perfeito que deveria ser ou porque esta chuva miúda não permite andar de
cabeça levantada e com os olhos bem abertos. A verdade é que poucos são aqueles
que cantam, ou sussurram a música que o telemóvel ou iPod tocam, poucos são aqueles que vão no meio da rua a falar sozinhos ou que estão constantemente a
rir das maiores parvoíces quando vão no meio da rua. Sim, eu faço tudo isto
porque, e eu sei disso, não jogo com o baralho todo. E que importa isso? Por
não jogar com o baralho todo que os outros criaram posso criar e jogar com as
minhas próprias cartas. Cartas sérias ou nem tanto, coloridas ou cinzentas
tanto faz. São as minhas cartas, cartas que não trocava, cartas que completam
a parte normal do baralho comum. Se sou mais feliz assim? Não sei. Talvez sim
ou talvez não, não tenho a certeza. Mas e quem tem? Quem é que possui as cartas
perfeitas, as regras do jogo que não permite batotas, que não permite que quem
as possui perca uma ou outra vez ao longo do tempo. Eu tenho perdido, tenho
ganho, e jogo com as cartas que criei e tal como no Yu-gi-oh confio no coração
das minhas cartas.
E por não ter um Blue Eyes White Dragon e outras tantas
criaturas mágicas que protegem os meus pontos de vida sou atacada diretamente
onde mais dói, mas mesmo que os pontos de vida cheguem a zero aprendo que
aquelas cartas não podem ser jogadas em conjunto e que aquela não é a melhor estratégia
de jogo. E assim reúno as minhas melhores cartas e desafio outro jogador para
mais um jogo de tudo ou nada, em que tenho sempre cinquenta por cento de
probabilidades de ganhar.
E ao longo do caminho, com mais ou menos batalhas, mais ou menos vitórias luto para
escolher sempre as melhores estratégias e no final ter na mão as cinco cardas
que constituem o Exódia.
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