Sensivelmente um ano depois volto a deparar-me com a mesma questão: Seria eu capaz de matar alguém que amo se essa pessoa mo pedisse?
Há um ano atrás deparei-me com o mesmo assunto num programa de TV e agora num livro que me tem consumido a maioria das horas dos meus dias já que a historia e incrivelmente envolvente e é difícil parar de ler…
Há um ano atrás deparei-me com o mesmo assunto num programa de TV e agora num livro que me tem consumido a maioria das horas dos meus dias já que a historia e incrivelmente envolvente e é difícil parar de ler…
Chris e Emily amavam-se desde que ela nasceu e partilharam o mesmo berço ainda na maternidade. Crianças inseparáveis tornaram-se namorados já na adolescência, tal como todos esperavam… viviam um para o outro e um no outro. Eram os melhores amigos, os confidentes um do outro e não conseguiam passar muito tempo afastados pelo que quase todo o tempo em que estavam acordados era passado juntos… quando Emily falou a Chris pela primeira vez em suicídio, ele simplesmente tentou ignorar. Só da terceira vez é que Chris reparou que Emily falava a sério. Durante semanas tentou demovê-la daquilo que ele achava um disparate. Emily tinha tudo pra ser feliz. Tinha pais e um namorado que a amavam, era uma aluna brilhante e no entanto não conseguia ser feliz, não conseguia deixar de estar profundamente perturbada, não conseguia deixar de pensar que o suicídio era a única solução pra acabar com toda aquela dor que sentia…
Numa noite Chris levou Emily a um sítio que era deles para que ela pudesse de facto pôr fim à sua vida… não que ele quisesse que ela morresse mas achava que na hora conseguiria demovê-la, no entanto não conseguiu… Emily estava determinada em acabar com aquilo mas não tinha coragem de apertar o gatilho. Foi quando pediu a Chris que o fizesse por ela. Apesar de não conseguir imaginar a sua vida sem Emily, Chris envolveu-a nos seus braços, encostou-lhe a arma à têmpora direita e pressionou o gatilho. Sim, Chris matou Emily. Não que quisesse de facto fazê-lo, mas não aguentava mais vê-la sofrer. Ele conseguiu pôr o egoísmo de lado e preferiu ser ele a sofrer com a ausência dela do que vê-la sofrer dia após dia…
E agora pergunto: seria eu capaz de deixar também o meu egoísmo de lado? Conseguiria eu sentir a vida de alguém que amo esvair-se por entre os meus braços?
Não! Eu não era capaz de fazer o que ele fez. Por muito que soubesse que a pessoa estava a sofrer, que só a morte lhe retiraria a dor que a consumia, eu não seria capaz de simplesmente acabar com a vida dessa pessoa…
Muitas vezes deparamo-nos com o assunto da eutanásia na televisão… reportagens que são feitas em hospitais onde as pessoas se contorcem de dores e que o seu único desejo é que aquilo acabe depressa, pedindo muitas vezes a Deus que as leve para junto dele. Ok! A mim também me custa olhar para aquelas imagens e pensar que um dia eu também poderei estar naquela situação e acho que também eu pediria desesperadamente que me tirassem aquela dor. Posso por isso dizer que sou a favor da eutanásia, mas no entanto, se alguém que amo me pedisse para a matar eu não teria coragem para o fazer.
No entanto no livro, o assunto é abordado por outro prisma… não se trata de alguém que tem uma dor física que só é suportável na presença de dezenas de medicamentos diariamente… trata-se de uma dor que não pode ser amenizada com medicamentos e que ninguém pode fazer nada para que acabe. Emily sofria de uma depressão profunda que não durava há muito tempo e que se agravou quando soube que estava grávida de Chris, embora ele só viesse a saber durante o seu julgamento por homicídio qualificado. No entanto ela não conseguia lidar com aquela dor que a consumia a cada dia que passava e o suicídio era uma ideia cada vez mais apetecível…
Quantos de nós já não pensámos também nessa hipótese? A verdade é que tal como Emily nunca tivemos coragem de o fazer… e se num desses dias tivéssemos alguém como Chris do nosso lado, que preferia sofrer com a nossa ausência do que ver-nos sofrer?? Bem, nesse caso eu não estaria a escrever isto e ninguém o iria ler por consequência… mas a questão mantém-se: até que ponto conseguimos ir por amor?
É frequente dizermos: Por ti faria tudo. Mas faríamos mesmo? Seriamos capazes de ficar a ver uma pessoa que amamos morrer só porque ela nos pediu?
Bom, eu sei que não era capaz. Talvez seja egoísmo da minha parte, mas não era capaz. Só a hipótese de perder alguém já é aterradora quanto mais ser eu acabar com a vida dela…
E no entanto Chris foi capaz. Ele fez tudo por Emily… ela morreu nos braços da pessoa que mais amou na vida, enquanto ele lhe dizia que a amava…