Lágrimas...
Para os românticos a expressão do que passa na alma. Para os mais práticos apenas mariquices. Para os químicos água, cloreto de sódio e mais uns quantos sais dissolvidos, uma fonte de lisozima óptima para nos proteger de eventuais bactérias invasoras.Há lágrimas que correm facilmente e que não conseguimos conter nem controlar por mais que nos esforcemos. Há aquelas que caem imperceptivelmente.
As mais fáceis são, talvez, as de raiva ou frustração que nos atingem quando menos esperamos e de forma avassaladora.
As lágrimas de dor, que ninguém quer ou gosta de chorar... são, talvez, as que mais custam a cair, porque antes de sentirmos a tal dita dor há muitos outros sentimos que nos abalroam.
E quando queremos que elas se soltem e elas não saem nem por nada afogando-nos por dentro...Lágrimas são lágrimas. Caem porque nos desiludem, caem quando sentimos saudade, caem porque há pessoas que são muito diferentes daquilo que imaginámos ou porque defraudaram as nossas expectativas, caem porque alguém nos diz que nos ama quando menos estamos à espera e quando mais precisamos de o ouvir, caem porque há dias em que tudo corre da maneira contrária daquilo que devia correr e não devíamos ter saído da cama, caem porque sim ou porque não... caem apenas porque caem.
E quando os olhos ficam vermelhos e começam a mudar de cor, eles podem secar e recomeçar a acumular as ditas lágrimas até à próxima descarga ou podem mesmo não parar e acabamos por cair no sono com elas ainda a escorrer para a almofada para acordarmos umas horas mais tarde capazes de nos voltar a erguer para mais umas quantas batalhas travadas todos os dias até ao dia que alguém ou alguma coisa nos volta a fazer chorar uma vez mais... seja de desilusão, de dor, de raiva, de fraqueza, de emoção...
Ninguém sabe quando será a próxima vez, qual será o próximo motivo, mas quando chegar o momento vão cair da mesma forma, vão voltar a fazer com que estes olhos mestiços fiquem verdes novamente, mas com um brilho novo... com o brilho que ganham sempre quando estão prontos para se levantarem novamente e para dizer à vida "Anda cá outra vez tentar derrubar-me porque ainda não foi desta que deste cabo de mim!".
(Tears in Heaven - Eric Clapton)