segunda-feira, 20 de julho de 2009

“Somos capazes de sentir os olhares das pessoas observar-nos; é como o calor que se liberta do pavimento no Verão, como um espeto no fundo das costas. Também não precisamos de ouvir um sussurro para saber que falam de nós.
Costumava ficar em frente ao espelho da casa de banho para ver para onde eles olhavam. Queria saber o que é que os fazia virar a cabeça, o que é que eu tinha de tão incrivelmente diferente. Ao princípio não conseguia distinguir. Quer dizer, era apenas eu.
Então um dia, quando olhei para o espelho, entendi. Olhei para os meus próprios olhos e odiei-me, talvez tanto quanto todos eles me odiavam.
Foi esse o dia em que eu comecei a acreditar que talvez tivessem razão.”

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