sábado, 12 de junho de 2010

Atitudes, palavras, gestos. Por vezes muito mais dolorosos do que a maior das cargas de porrada…
Fernando Pessoa defendia que só sentíamos dor porque pensávamos, porque se vivêssemos sem pensar, se apenas sentíssemos não haveria dor. Ao primeiro impacto tudo aquilo me pareceu uma parvoíce, talvez porque foi abordado nas aulas de português que não eram de longe nem de perto o sítio onde queria estar, ou talvez porque era difícil captar a essência de alguns dos seus poemas, porque apesar de geniais pareciam por vezes contraditórios. Mas com o passar do tempo e depois daquele primeiro impacto tudo aquilo parecia ganhar sentido. Ele tinha razão. De facto, nós até podemos estar a sofrer, mas se não pensarmos nisso, nem sequer temos consciência do que nos está a acontecer e portanto parece que não sofremos, apesar de não passar de uma ilusão. E depois? Há tantas pessoas a viver na ilusão e são felizes… porque não vivermos numa ilusão e acharmos que não sentimos qualquer dor só porque não pensamos nisso?
Há quem procure o sofrimento. Homens e mulheres que passam a vida a desconfiar dos companheiros porque acham que estes têm amantes, apesar de nada disso ser verdade.
E depois há também aquelas situações em que não queremos de facto sofrer e tudo parece bem quando, vindo do nada, lemos, nos é dito ou vemos alguma coisa que magoa. E dói de tal forma que parece físico. Mas não. É muito pior do que isso. O coração é-nos arrancado, sangramos por dentro, de tal forma que parece que não haverá depois…
Às vezes esta dor é provocada pelo confirmar de uma situação que até sabemos que está a acontecer, mas que lutamos com todas as nossas forças para que não seja verdade. Parece que por pensarmos que é apenas invenção da nossa cabeça dói menos, que afinal não esta a acontecer… mas está, é real e o que é que fazemos quando tomamos consciência disso? Como é que acabamos com a dor, com a desilusão? Não sei, mas gostaria bastante de saber. Já toda a gente passou por uma situação destas. Com mais ou menos frequência, com mais ou menos intensidade, mas já toda a gente passou pelo culminar de uma situação que sabemos que acontece há muito, mas que não tínhamos sequer coragem de admitir, porque isso implicaria assumir as dores. E é nesse momento de assumir a dor que apetece partir tudo à nossa volta e depois ficar a chorar no meio de todo aquele caos. Porque tudo em nós é caos, porque o nosso próprio mundo sofre um abanão como se de um sismo se tratasse. E não é um daqueles sismos que acontece a todos os momentos e que apenas os sismógrafos conseguem detectar e depois os sismólogos analisam para acompanhar a actividade no interior da Terra. Falo sim daqueles sismos que abalam países, que destroem as construções mais sólidas e que se pensava serem indestrutíveis, aqueles sismos que matam milhares de pessoas e destroem a vida de outras tantas. Aqueles sismos que levam grandes países com economias estáveis quase à banca rota, onde toda agente rouba toda a gente. E matam para não serem mortos.
Esses acontecimentos em que tudo à nossa volta fica prestes a ruir são apenas comparáveis a grandes catástrofes. E nessas alturas há quem tenha a sorte de ter do seu lado alguém que lhe mostre que nem tudo está perdido, que existe vida para além daquilo, que tudo tem uma solução por mais difícil que seja vê-la naquele momento, outros não tem essa sorte e vão muitas vezes ao fundo, podendo ou não vir a erguer-se outra vez…
E o que é que podemos fazer para evitar tudo isto? Nada! Ou melhor, podemos talvez seguir o conselho de Fernando Pessoa e viver sem pensar, apenas sentindo… mas aqui coloca-se outra grande questão: Como é que isso se faz?

2 comentários:

Flávia disse...

Quanto ao ter alguém do teu lado para não te deixar ir ao fundo....eu estou aqui.....e sabes porque?!?!? porque te adoro....e porque tu és a minha meia puta..só juntas é que formamos a melhor puta que existe...por isso vou estar sempre aqui e não te deixarei ir ao fundo, percebeste?!

Quanto a toda essa revolta interior....calma amiga...afinal, q s anda a passar?!?!? ja não falamos à tanto tempo que eu só sei de ti por este espacinho e qd aqui caiu é com cada bomba.... :(

Sim, talvez Fernando Pessoa tivesse razão, mas não conseguimos libertar-nos dessa dor de pensar....não dá mesmo....ele não conseguiu, em nenhum dos seus "eu"s ele conseguiu isso q tanto procurava....

" dor é provocada pelo confirmar de uma situação que até sabemos que está a acontecer, mas que lutamos com todas as nossas forças para que não seja verdade." Sim, é verdade que muitas vezes intensificamos qlq dor ao tentar esconde-la, ao tentar "desacreditá-la", ao tentar ignorá-la...e depois chega a um ponto em que temos de a confrontar e aí percebemos que ela sempre esteve lá, só não quisemos assumir..e isso provoca em nós uma dor bem maior. =(
às vezes até poderiamos ter sido felizes se tivessemos enfrentado logo isso, que achamos que nos faria sofrer....algo que achavamos que nos magoaria poderia ter feito de nós uma pessoa super feliz...mas preferimos achar que nos ia magoar mas esconder essa dor e depois....depois sim, é tarde e transforma-se mesmo em dor :S

Vá amiga, não me alongo mais.
Só quero que saibas que estou aqui para TUDO!!! porque sem ti...a puta mais maravilhosa de todas morre.

Adoro-te minha meia puta =D

Saudades *.*

Sílvia disse...

Eu sei que posso contar sempre contigo amor. Apesar de tudo sei que ainda tenho GRANDES amigos como tu...

Até tenho pena de ti por leres tanta baboseira que aqui é escrita... mas não te preocupes comigo porque eu estou bem. Não escrevi tudo aquilo por estar de facto a senti-lo mas tive uma inspiração exterior qe me levou a faze-lo. E a recordar coisas e a pensar noutras... mas não importa isso agora..


Ah e Fernando Pessoa era um génio. Uma versão einsteiniana das letras...


Adoro-te muitão amiga.

Ah é verdade no outro dia sonhei contigo. E apesar de ser apenas em sonhos deste-me aquilo que mais estava a precisar naquele momento. Foi um simples abraço, nem uma única palavra trocada, mas foi essencial...
Temos de ver se combinamos um dia pra nos encontrarmos todos. Estás a dever-me um abraço a sério...

Beijinhos