sexta-feira, 2 de julho de 2010

???

Há pessoas das quais gostamos logo. Há aquelas das quais nunca chegamos a gostar. E depois há aquelas das quais não gostávamos, mas passamos a gostar, as que gostávamos mas deixámos de gostar. Há aquelas das quais não é suposto gostarmos, mas gostamos e há aquelas das quais até devíamos gostar, mas por mais que nos esforcemos não conseguimos gostar. Porquê? Porque é que é tão difícil gerir sentimentos? Porque é que tem de ser tudo tão complicado? A resposta a esta última pergunta não é propriamente difícil e é unânime para muita gente... as coisas não são difíceis por natureza, nós é que as tornamos complicadas com perguntas, com parvoíces. Não podíamos simplesmente viver sem tantas interrogações? Na verdade não. São grandes perguntas que levam a grandes respostas em todos os campos e uma vida sem perguntas seria também uma vida sem respostas. E depois? Se nunca fizéssemos perguntas também viveríamos bem sem respostas. Mas teria a mesma piada? Não nos perguntarmos o porquê disto ou daquilo. Não termos curiosidade sobre aquilo que está para além do que a nossa vista alcança e as nossas mãos tocam?
Da janela do meu quarto vejo a Serra da Estrela. Desde os 15 meses que aqui vivo e nunca lá fui (vergonha dizer isto o.o) mas também não me importo. A serra nunca me despertou curiosidade (e agora lembrei-me que alguém me pediu uma foto da vista do meu quarto sobre a serra mas não me lembro quem foi). A curiosidade foi sim sobre o que é que está pra lá dela. Quando era pequena acreditava que não existia mais nada para lá dela. Que ali, naqueles montes que mudam de cor ao longo do dia e ao longo dos dias e que muitas vezes estão cobertas da mais branca neve acabava tudo o que havia para ver. Depois cresci e, claro dei-me conta do quão tolinha era e passei a querer não saber o que havia para lá (acreditava que não seria muito diferente do que via deste lado apesar de a perspectiva ser exactamente a oposta)... comecei então a querer viver lá. À noite vêm-se apenas algumas luzes emitidas pelas poucas casas existentes naquela zona da montanha, mas eu queria mesmo era viver onde não existisse casa nenhuma para além da minha. Só eu, a minha casa, o meu riacho e a montanha. Onde podia ser dona de tudo o que me rodeasse, onde me sentisse a dona do mundo. Onde por mais alto que fosse o rochedo onde me empoleirasse não conseguisse avistar mais nada do que as encostas da serra.
Ahahah como era doida eu. Agora já com mais uns anitos, mas com pouco mais juízo, nem quero lá ir, nem lá viver, nem saber o que há para lá do pico mais alto de Portugal... agora quero apenas sentar-me na minha janela a vê-la mudar de cor ao nascer e ao pôr do sol, ver a sombra das nuvens deslizar sobre as suas encostas onde parece não haver horas, onde o tempo existe apenas para os outros, onde tudo parece pacífico.
E teria sido a mesma pessoa que sou hoje se não tivesse feito todas aquelas perguntas quando era pequena e tentado encontrar as respostas na mais profunda da minha imaginação? Seria eu a mesma pessoa se não fizesse todos os dias perguntas e procurasse as suas respostas? Teria o mesmo significado, o mesmo gosto viver se esta vida não fosse uma busca incessante de respostas às perguntas que todos os dias nos são colocadas e nós colocamos? Haverá alguma vez resposta para todas estas perguntas? Seremos nós seres suficientemente iluminados para conseguirmos responder às perguntas que são lançadas para o ar todos os dias? Quem sabe... Tudo é possível. Até as crianças que nasçam daqui a 25 anos verem até aos 1000 anos...

1 comentário:

Anónimo disse...

Acho que te pedi essa foto, trenga. -.-
E vão haver sempre mais perguntas, e mais, e mais. E ainda bem! :)