quarta-feira, 16 de maio de 2012

Palavras! São tantas e ao mesmo tempo tão poucas.
Quando não devem, saem em catadupa como se se tratassem de ar a ser expelido dos pulmões. Quando devem sair, ficam presas na garganta como se de um choro abafado se tratasse.
Palavras são proferidas por mil e uma razões e deixam de o ser por outras tantas.
Palavras de raiva são despejadas e queimam a pele de quem as ouve como brasas incandescentes provenientes do mais profundo dos círculos do inferno, mas tornam quem as grita num alguém liberto.
As palavras podem ser gritadas com tamanha força que quem as gritas sente o vibrar das cordas vocais e mesmo assim, ninguém as ouvir. Podem ser sussurradas... e aí podem ser ouvidas apenas por uma, ou por todas as pessoas que ali se encontram.
Há palavras que não são proferidas apenas porque o outro é tão insignificante que não vale a pena. E do lado oposto deste mundo de insignificância ou desprezo existe um outro totalmente diferente mas que se encontra com este num ponto... o ponto do silêncio. Porque quando duas almas são tão próximas, que por vezes se confundem e se misturam como se formassem uma só, tudo é dito entre olhares cúmplices e gestos coordenados.
As palavras também são escritas! Palavras como as que pintam esta minha tela de desabafos e confissões. Palavras que são escritas para alguém especial, que são escritas para ninguém ou por um alguém que por aqui passe. Palavras que são aqui deixadas como marcas de uma queda que ficam gravadas na pele durante toda uma vida. E as quedas são tantas... e no entanto, algumas doem menos que palavras ditas sem querer ou com a intenção de magoar. E como magoam! Como magoam, as palavras que não são mais que silabas constituídas pela pequenez de letras umas a seguir às outras mas que têm o poder de mudar o mundo. Que têm, tiveram e terão sempre, a capacidade assustadora de mudar o meu mundo! Mundo que é salvo da ruína pelas palavras certas mas que pode ruir de novo quando as palavras erradas são ditas ou caladas no momento chave.
As palavras não são mais do que a escapatória de todas aquelas pessoas, que tal como eu, não se sabem exprimir de outra forma. De uma outra forma mais pura e mais verdadeira porque as palavras podem ser escolhidas. Cada palavra pode ser escolhida de maneira cautelosa e caprichosa de modo a distorcer tudo aquilo que se queira, de modo a fazer as coisas parecerem o que não são... De forma directa, as palavras são o meio mais fácil de mentir e manipular tudo aquilo que não se quer admitir como verdade. As palavras protegem de uma forma que mais nenhuma forma de comunicar o permite. Porque nada é mais perigoso e mais falso que as palavras!

3 comentários:

Anónimo disse...

Possas... (Eu sei que ''possas'' não é bem uma palavra mas é a q me ocorreu :/)

PS: E depois dizes que não davas uma boa escritora.

Flávia disse...

contudo tu tornas essa palavras perigosas em belos textos....

"As palavras protegem de uma forma que mais nenhuma forma de comunicar o permite." talvez por isso eu goste tanto delas.... :s

Amei MPP, a serio!!

Sara Campos disse...

olha a minha porca a sair-se da casca :b
escreves 'muita bem' pá xD
<3 <3