sábado, 31 de outubro de 2009

18 anos depois...

Fez ontem 18 anos que o meu Pai morreu. Um cancro do pulmão causado por produtos químicos usados na fábrica onde trabalhava tirou do mundo um homem de 37 anos, casado há 5 meses e com uma filha de 15.
Eu sei o que a maioria das pessoas pensa “Coitada perdeu o pai tão pequenina, mas se calhar é melhor assim porque não sofreu tanto com a perda.”. A essas pessoas só digo: experimentem viver com um vazio dentro de vocês, experimentem viver sem conhecer uma parte de vocês próprias. Quando conhecerem o sentimento depois digam alguma coisa… talvez eu consiga perceber que só eu é que não vivo bem com isso e aí eu peço desculpa àqueles que hoje chamo ignorantes por opinarem sobre algo que não fazem a menor das ideias do que é…
Durante toda a minha vida ouvi dizer que sou igual a ele, mas no entanto nunca o conheci. De que me vale ser igual a um homem que não faz parte da minha vida? E apesar do orgulho que sinto em ouvir isto ou mesmo em dizê-lo eu nunca o poderei de facto comprovar. Nunca pude olhá-lo nos olhos e ver o reflexo de mim mesma e ao olhar-me ao espelho não reconheço nos meus olhos os dele que toda a gente diz serem iguais. A mesma cor que muda constantemente com a intensidade da luz, a mesma forma, a mesma intensidade no olhar. Tudo isso é muito bonito e talvez goste deles por serem iguais aos dele, mas no entanto estes olhos nunca poderão ver os dele, os olhares nunca se poderão cruzar, nunca vou poder fazer com ele tudo o que é normal os filhos fazerem com os pais. Nunca vou poder, sequer dizer que me lembro disto ou daquilo que vivi com ele, porque eu era demasiado pequena pra guardar qualquer tipo de recordação de quando ele ainda estava comigo. Ao contrário de todas aquelas pessoas que perdem os pais já com alguns anos de vida, eu não tenho recordações nenhumas dele, eu não sei nada sobre ele que não me tenha sido transmitido por terceiros. Eu nunca pude comprovar que temos um feitio parecido porque eu nunca convivi com ele, porque eu nunca vou poder fazê-lo.
Eu nunca pude entregar-lhe todos os presentes que fazíamos na escola pró Dia do Pai, eu nunca pude abraçá-lo, eu nunca pude nem nunca vou poder fazer uma data de coisas…
Mas apesar de tudo não posso queixar-me. Não tenho um pai mas tenho uma mãe que vale pelos dois. Uma das melhores pessoas que conheço, sem dúvida nenhuma a mulher com mais garra e coragem que conheci em toda a minha vida. Uma mulher que perde o marido e o pai apenas com umas horas de diferença, que enfrenta a família do marido pra ficar com a filha e que a cria sozinha e no meio disto tudo ainda toma conta da mãe que acabou de perder o marido. Eu seria a pessoa mais estúpida do universo e arredores se não tivesse muito, mas muito orgulho na mãe que tenho. E apesar de a minha avó passar a vida a dizer que nós somos como irmãs, porque não nos respeitamos e passamos a vida a discutir a minha mãe é das pessoas que mais amo na vida. E sim, é verdade que passamos a vida a discutir e que a mando muitas vezes “pastar a vaca”, mas a ela tenho de agradecer eternamente tudo o que fez e continua a fazer por mim.
Não digo que é a melhor mãe do mundo porque isso toda a gente diz, muito menos digo que é perfeita, não só porque não gosto do conceito mas também porque não é verdade, mas não é por isso que gosto menos dela. Eu amo muito a minha mãe e é das pessoas de quem mais orgulho tenho. A ela tenho de agradecer quase tudo o que tenho, quase tudo o que sou…

Obrigada Mamy <3

sábado, 24 de outubro de 2009




Desculpa Principe *.*

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A maneira mais fácil de odiarmos alguém é amarmos primeiro essa pessoa...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

E se eu morresse?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Somos fruto de uma geração que nos julga incapazes de tomar as nossas próprias decisões porque amamos de uma maneira muito louca, mas totalmente autêntica +.+"

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tudo tem um fim e as coisas boas acabam ainda mais depressa. Uma pequena mudança, um pequeno ajuste quando tudo é perfeito e tudo acaba. E quando as mudanças são enormes? Aí é impossível recuperar todo o resto .. são feitas promessas ao contrário mas o que é certo é que nada volta, o fim é definitivo, irreversível, inevitável. Podiamos chamar-lhe destino mas já o tinhamos feito antes quando tudo melhorou... então porque haveria o destino de criar algo para o destruir a seguir? Talvez seja como as crianças que constroem torres de legos pra desmanchar a seguir... ou como aquelas pesssoas que passam horas a equilibrar pecinhas de dominó para depois as verem cair em minutos ou mesmo segundos...
A verdade é que as coisas mudam e as pesssoas também. As mudanças são inevitáveis e muitas vezes necessárias... eu diria mesmo imprescindíveis. Mas e quando essas mudanças são tão profundas que deixamos de ser quem éramos? Quando olhamos para alguém que conheciamos como a palma das nossas mãos e que em pouco tempo deixámos de conhecer por causa dessas mesmas mudanças? O abismo que se abre entre duas pessoas quando isto acontece é gigantesco. As duas partes do abismo estão muitas vezes ligadas por uma ponte, que muitas vezes é demasido velha e perigosa para se atravessar e outras é demasiado comprida... Poderíamos dizer que por uma pessoa da qual gostamos realmente fazemos tudo e talvez até houvesse uma solução se cada uma das pessoas estivesse disposta a percorrer metade dessa ponte, por entre perigos ou mesmo km se fosse preciso.Mmas quando cada uma se encontra na sua ponta da ponte e apenas uma dá o primeiro passo, quando apenas uma se dispõe a atravessar a ponte que liga duas pessoas que outrora foram inseparáveis, aí não sei se realmente valerá a pena, porque se a ponte for velha e perigosa a pessoa que se dispôs a travessá-la sozinha provavelmente cairá no abismo porque o tempo passou e a ponte degradou-se ao ponto de não suportar a presença de ninguém em cima dela. No entanto se a ponte for apenas muito comprida a viagem vai parecer infinita e aí acabará por desistir da travessia por se sentir sozinha numa caminhada que deveria ser feita a dois. E então? Desiste-se das pessoas só porque elas mudam? Sinceramente não sei o que responder a isto. Numa visão mais romântica da questão responderia que se de facto se gostasses da outra pessoa o caminho nunca seria deamsiado perigoso, demasiado longo. Mas sendo prática responderia que se não somos importantes o suficiente páa outra pessoa percorrer metade do caminho por nós, então não vale a pena. Será sempre uma perda de tempo porque quando chegarmos ao outro lado do abismo já se criou outro ainda maior e irá sempre acontecer isto até um dia nos apercebermos que andamos a perder tempo e energia com algo que estava condenado desde o inicio...
Hoje vejo-me muitas vezes nesta situação. Adorei e adoro pessoas que mudaram demasiado pra conseguirmos ter o que tínhamos. Talvez o que nos separa não seja um abismo assim tão grande ao ponto de ser intransponível, mas que cresce a cada dia que passa e eu não estou mais disposta a cotinuar sozinha, não consigo.
Talvez um dia estejamos ambos dispostos a percorrer um caminho até ao mesmo ponto e aí possamos reconstruir tudo o que um dia tivemos, mas por agora vou também eu ficar apenas a fitar a ponte que nos separa...

sábado, 5 de setembro de 2009

Saudades são pedaços de tempo que nos fazem sonhar...