23 de Outubro de 2009. Faz hoje um mês que perdi o meu Pequeno Príncipe.
Eram 9 da noite de sexta-feira quando a minha mãe me mandou chamar o gato. Áquela hora e ainda pôr cima estando a chover era estranho que ele ainda não estivesse em casa mas como costumava brincar com os outros gatitos nem ligamos. Pois bem, da entrada de casa chamei por ele, mas o silêncio era quase absoluto. Voltei a chamar e ouvi-o miar, continuei a chamar pois era normal ele miar pra mim quando eu o chamava pra vir pra casa, mas ele nunca mais aparecia. Reparei que o miar soava de uma forma estranha. O som era abafado, aflito. Desci as escadas e voltei a chamar, voltei a ouvi-lo miar mas desta vez senti que algo não estava bem. O som vinha do lado da estrada. Por instinto dirigi-me ao portão, abri-o e vi-o. O meu gatinho estava deitado à beira da estrada a miar. Sem pensar em nada baixei-me e peguei-lhe pelo cachaço, quando vi o pior dos cenários. Ele não mexia as patas traseiras, tinha a barriga toda aberta, com os órgãos prestes a saltar cá para fora.
Gritei pela minha mãe, pedi-lhe que ligasse ao veterinário. Eu não conseguia ficar a ver o meu bebé a sofrer assim.
Metemo-lo num cesto embrulhado num cobertor e fomos pra Mangualde onde a veterinária ia ter connosco.
Durante todo o caminho ele foi a debater-se para se levantar, para sair do cesto. As lágrimas corriam-me pela cara involuntariamente enquanto falava com ele para o manter calmo.
O tempo de espera pela veterinária foi de 10 minutos que me pareceram horas.
A veterinária chegou, entramos para o consultório onde ela deitou o Micky naquela mesa de metal. Examinou-o e explicou-nos que não havia muito a fazer. Para além do enorme buraco que tinha na barriga, tinha também uma pata traseira completamente desfeita, a outra estava partida em 2 lugares, tal como a coluna que também estava fracturada. E para agravar tudo isto ele tinha perdido muito sangue.
A solução era simples e apenas uma… o abate.
Eu sabia desde o momento que peguei nele ao colo que não haveria nada mais a fazer, mas apesar disso não queria acreditar que iria perder aquele que tinha sido o meu melhor amigo durante 4 ou 5 meses.
Quando ele começava já a ceder ao efeito da anestesia fui obrigada a fazer aquilo que mais me custou fazer até hoje… debrucei-me sobre ele, beijei-o, passei-lhe a mão no pêlo como fazia todas as noites quando ele ia dormir e disse-lhe “Adeus Micky” e depois fui arrastada do consultório para fora… depois disto não voltei a vê-lo. Tivemos de o trazer pra casa porque aos fins de semana não podem ficar com os animais, mas no dia a seguir não fui capaz de o enterrar.
Nesse dia cheguei a casa e fechei-me no quarto. No sábado todos à minha volta reagiam como se nada se tivesse passado, como se ele nunca tivesse existido… as coisas dele tinham desaparecido lá de casa e apesar de saber onde é que elas estavam não tinha coragem para olhar pra elas…
Hoje, ainda consigo ouvir o miar aflito com que ele chamava por mim, ainda consigo vê-lo ali deitado a debater-se, a tentar levantar-se, ainda consigo reviver cada passo dessa noite…
Hoje, acima de tudo guardo as recordações de tudo o que vivi com ele, de todas as vezes que ele se deitava em cima dos meus cadernos quando eu queria estudar, ou de todas aquelas vezes em que passava por cima do teclado do computador e escrevia coisas ilegíveis, ou ainda de todas as vezes em que ficava parada só a vê-lo dormir…
E agora, distanciada no tempo vejo que naquele momento só quis que ele não sofresse mais, vejo que eu sou capaz de matar por amor…
Peço desculpa a ti Micky por não ter podido fazer mais nada por ti, por te ter deixado sair de casa outra vez quando uma hora antes já lá tinhas estado.

A Mamy vai amar-te sempre Mimi <3