sexta-feira, 31 de julho de 2009

Tudo por amor

Sensivelmente um ano depois volto a deparar-me com a mesma questão: Seria eu capaz de matar alguém que amo se essa pessoa mo pedisse?
Há um ano atrás deparei-me com o mesmo assunto num programa de TV e agora num livro que me tem consumido a maioria das horas dos meus dias já que a historia e incrivelmente envolvente e é difícil parar de ler…

Chris e Emily amavam-se desde que ela nasceu e partilharam o mesmo berço ainda na maternidade. Crianças inseparáveis tornaram-se namorados já na adolescência, tal como todos esperavam… viviam um para o outro e um no outro. Eram os melhores amigos, os confidentes um do outro e não conseguiam passar muito tempo afastados pelo que quase todo o tempo em que estavam acordados era passado juntos… quando Emily falou a Chris pela primeira vez em suicídio, ele simplesmente tentou ignorar. Só da terceira vez é que Chris reparou que Emily falava a sério. Durante semanas tentou demovê-la daquilo que ele achava um disparate. Emily tinha tudo pra ser feliz. Tinha pais e um namorado que a amavam, era uma aluna brilhante e no entanto não conseguia ser feliz, não conseguia deixar de estar profundamente perturbada, não conseguia deixar de pensar que o suicídio era a única solução pra acabar com toda aquela dor que sentia…
Numa noite Chris levou Emily a um sítio que era deles para que ela pudesse de facto pôr fim à sua vida… não que ele quisesse que ela morresse mas achava que na hora conseguiria demovê-la, no entanto não conseguiu… Emily estava determinada em acabar com aquilo mas não tinha coragem de apertar o gatilho. Foi quando pediu a Chris que o fizesse por ela. Apesar de não conseguir imaginar a sua vida sem Emily, Chris envolveu-a nos seus braços, encostou-lhe a arma à têmpora direita e pressionou o gatilho. Sim, Chris matou Emily. Não que quisesse de facto fazê-lo, mas não aguentava mais vê-la sofrer. Ele conseguiu pôr o egoísmo de lado e preferiu ser ele a sofrer com a ausência dela do que vê-la sofrer dia após dia…

E agora pergunto: seria eu capaz de deixar também o meu egoísmo de lado? Conseguiria eu sentir a vida de alguém que amo esvair-se por entre os meus braços?
Não! Eu não era capaz de fazer o que ele fez. Por muito que soubesse que a pessoa estava a sofrer, que só a morte lhe retiraria a dor que a consumia, eu não seria capaz de simplesmente acabar com a vida dessa pessoa…
Muitas vezes deparamo-nos com o assunto da eutanásia na televisão… reportagens que são feitas em hospitais onde as pessoas se contorcem de dores e que o seu único desejo é que aquilo acabe depressa, pedindo muitas vezes a Deus que as leve para junto dele. Ok! A mim também me custa olhar para aquelas imagens e pensar que um dia eu também poderei estar naquela situação e acho que também eu pediria desesperadamente que me tirassem aquela dor. Posso por isso dizer que sou a favor da eutanásia, mas no entanto, se alguém que amo me pedisse para a matar eu não teria coragem para o fazer.
No entanto no livro, o assunto é abordado por outro prisma… não se trata de alguém que tem uma dor física que só é suportável na presença de dezenas de medicamentos diariamente… trata-se de uma dor que não pode ser amenizada com medicamentos e que ninguém pode fazer nada para que acabe. Emily sofria de uma depressão profunda que não durava há muito tempo e que se agravou quando soube que estava grávida de Chris, embora ele só viesse a saber durante o seu julgamento por homicídio qualificado. No entanto ela não conseguia lidar com aquela dor que a consumia a cada dia que passava e o suicídio era uma ideia cada vez mais apetecível…
Quantos de nós já não pensámos também nessa hipótese? A verdade é que tal como Emily nunca tivemos coragem de o fazer… e se num desses dias tivéssemos alguém como Chris do nosso lado, que preferia sofrer com a nossa ausência do que ver-nos sofrer?? Bem, nesse caso eu não estaria a escrever isto e ninguém o iria ler por consequência… mas a questão mantém-se: até que ponto conseguimos ir por amor?
É frequente dizermos: Por ti faria tudo. Mas faríamos mesmo? Seriamos capazes de ficar a ver uma pessoa que amamos morrer só porque ela nos pediu?
Bom, eu sei que não era capaz. Talvez seja egoísmo da minha parte, mas não era capaz. Só a hipótese de perder alguém já é aterradora quanto mais ser eu acabar com a vida dela…

E no entanto Chris foi capaz. Ele fez tudo por Emily… ela morreu nos braços da pessoa que mais amou na vida, enquanto ele lhe dizia que a amava…

segunda-feira, 20 de julho de 2009

“Somos capazes de sentir os olhares das pessoas observar-nos; é como o calor que se liberta do pavimento no Verão, como um espeto no fundo das costas. Também não precisamos de ouvir um sussurro para saber que falam de nós.
Costumava ficar em frente ao espelho da casa de banho para ver para onde eles olhavam. Queria saber o que é que os fazia virar a cabeça, o que é que eu tinha de tão incrivelmente diferente. Ao princípio não conseguia distinguir. Quer dizer, era apenas eu.
Então um dia, quando olhei para o espelho, entendi. Olhei para os meus próprios olhos e odiei-me, talvez tanto quanto todos eles me odiavam.
Foi esse o dia em que eu comecei a acreditar que talvez tivessem razão.”
“O facto de acreditarem ou não no destino resume-se a uma coisa: quem culpam quando algo corre mal. Acham que a culpa é vossa - que se se esforçassem mais, tal não teria acontecido? Ou limitam-se a atribuir a culpa às circunstâncias?
Conheço pessoas que quando ficam a saber da morte de uma pessoa dizem que foi a vontade de Deus. Conheço pessoas que dizem que foi azar. E depois há a minha favorita: estavam apenas no lugar errado na altura errada.
Pensando melhor, podiam dizer o mesmo de mim, não podiam?”

terça-feira, 14 de julho de 2009

Suspenso...

Porque é que as vezes somos obrigados a escolher entre 2 coisas? Porque é que não podemos ter as duas? Porque é que eu tenho de ser obrigada a escolher entre um sonho e a estabilidade de uma família que é cada vez menos minha?
Bem sei qe a culpa pode ser minha porque se me tivesse esforçado estaria neste momento no final no 1º ano de Fisioterapia e não de Bioquímica… não que eu não goste do curso onde estou, mas o meu sonho era Fisioterapia… quando no ano passado fiz as candidaturas à universidade devia estar parva de todo… porquê Aveiro? Porque não Coimbra? Se tivesse posto Coimbra antes de Aveiro, agora estaria também no fim do 1º ano de Bioquímica, mas com a esperança de em Setembro voltar a ser caloira, de estar a ser praxada por pessoal da área da saúde, de estar orgulhosa de dizer que estava a tirar Fisioterapia na Universidade de Coimbra… eu gosto de Aveiro sim, mas aqui é muito mais difícil de entrar em Fisioterapia, aqui a única especifica com que se entra é biologia, enquanto que em Coimbra tinha a oportunidade de entrar com matemática. Ora, pra mim é muito mais fácil entrar com matemática do que com biologia…
Se o ano passado tivesse pensado duas vezes antes de fazer as candidaturas, agora, estivesse em que curso estivesse era estudante de Coimbra e lá, bastaria uma simples mudança de curso… mas assim, tenho o meu futuro restrito à cidade de Aveiro…
Na semana passada, a ver o telejornal deparei-me com a noticia que estava aberta a 1ª fase de candidaturas ao Ensino Superior e eu, sabendo que as notas do exame nacional de matemática baixaram e que abriram muito mais vagas em quase todos os cursos do que o ano passado tive uma ligeira sensação de felicidade, de esperança… esperança de poder este ano entrar no curso que realmente queria, mas tudo isso depressa acabou quando percebi que eu não podia concorrer… não que houvesse algum tipo de impedindo que não fosse a minha consciência… e ao contrario daquilo que gosto de afirmar e de que muita gente já me disse deixei de me sentir egoísta… desta vez estou a pôr a vida de alguém à frente da minha, estou a pensar noutra pessoa que não eu, estou a deixar de seguir um sonho de já alguns anos por alguém que eu as vezes penso se não teria de ser essa pessoa a abdicar de tudo por mim… e depois de todos estes pensamentos ainda mais estúpidos do que eu percebo que não. Ninguém tem de abdicar de nada por mim… eu é que deveria ter pensado melhor quando, no ano passado pintei todas aquelas bolinhas, quando ao preencher aquele boletim acabei por pôr Aveiro antes de Coimbra…
Na noite em que saíram as colocações a minha primeira frustração foi não ter entrado em Fisioterapia, mas essa rapidamente foi substituía por uma frustração ainda maior… a de não ter entrado em Coimbra. Aqui os motivos eram já diferentes. Sempre tive a noção de que entrar em Fisioterapia era muito difícil, mas nunca me tinha lembrado de que isso implicaria também não ir pra Coimbra… não que Coimbra sempre tivesse sido um sonho meu, mas porque sabia que ficaria longe de uma das pessoas mais importantes da minha vida. Nessa mesma noite chorei… chorei horas e horas seguidas porque o medo de perder essa pessoa era quase irracional, porque já não cabia dentro de mim, porque eu já não sabia como controla-lo…
Hoje já não tenho vontade de ir pra Coimbra por causa dessa pessoa, hoje Coimbra era apenas o meio de poder conquistar um sonho… não que essa mesma pessoa pela qual chorei tanto tempo, que chorou comigo por também sentir o mesmo medo que eu, apesar de me dizer sempre que nada nos separaria, tenha perdido a importância que teve… não, nada disso. Ela continua presente em mim como sempre, mas hoje tenho a certeza de que a nossa ligação não acaba com a distância, que uma amizade como a nossa não se deixa abalar mesmo com os km que nos separam ou com o tempo…
Mas agora, mais do que nunca, Fisioterapia é apenas um sonho, porque Aveiro não me permite fazer com que isso mude e Coimbra… bom, Coimbra é por enquanto inalcançável. Talvez um dia deixe de lado o meu lado bonzinho, me concentre apenas em mim, recupere todo aquele egoísmo que sempre me foi característico e parta sem olhar pra trás em busca do sonho… ou talvez as coisas mudem o suficiente pra me deixar atirar-me de cabeça nele sem magoar ou prejudicar ninguém… quem sabe se um dia não vou perceber que afinal foi melhor assim, que Fisioterapia e Coimbra não eram de todo o meu caminho…
A verdade é que a minha decisão de permanecer em Aveiro foi tomada no momento em que comprei o meu traje… a sensação de vestir algo que me uniria pra sempre à UA foi esquisita. Eu sabia que assim que comprasse aquele traje Coimbra deixaria de estar ao meu alcance e por isso demorei tanto tempo a compra-lo, por isso pensei tantas vezes se de facto pensaria nos outros antes de pensar em mim, se abdicaria daquilo que realmente queria pelo bem-estar de outra pessoa… e pronto, a decisão foi tomada e agora é irreversível… quem sabe se um dia não acabo mesmo por tirar o curso de Fisioterapia…
Mas por agora sou estudante de Bioquímica na Universidade de Aveiro, por agora não sou egoísta o suficiente pra mudar isso, por agora todo o sonho fica em stand by…

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Obrigada meus sacanas!

No sábado, supostamente, iria fazer um jantar pra festejar os meus anos… digo supostamente porque me trocaram as voltas.
Uns dias antes recebo uma msg: Q fazes sábado a tarde?
Ao q respondo: N faço ideia pq?
Alguém me disse: Qero-te cmg as 6 horas!
Como seria de esperar fiz não sei quantas perguntas pra saber q raio é q ela qeria de mim, mas como é obvio não tive direito a uma única resposta decente…
Ora a minha mãe, que já estava feita com aquela cambada, foi-me levar a Mangualde as 6 da tarde ao fundo das escadinha da Senhora do Castelo (pra quem não sabe aquilo tem 365 degraus até lá acima). Cerca de 15 minutos depois chega a minha maninha (atrasada como sempre) com um ovo Kinder na mão. Deu-mo, pegou na caixa do meu bolo e disse-me que tinha mais 3 ovos iguais aqueles espalhados em 3 das 4 capelinhas que existem ao longo daquelas infindáveis escadas. E pronto, lá começamos nós a subida. Parando de vez em quando pra descansar e pra fazer tempo que o Jerome chegasse (apesar de eu não saber desta parte). Os 2 primeiros ovos foram fáceis de encontrar, mas digamos que o 3º estava num local onde mais facilmente entrariam as lagartixas do que eu. Dei umas 3 ou 4 voltas a capela, andei de rabo pró ar, quase de gatas à procura do bem dito ovo (à vídeos que o comprovam), até o encontrar num pequeno buraquinho entre as pedras que constituíam o muro…
Finda a busca dos ovos, lá fomos nós escada a cima… ora a minha querida companheira da busca aos ovos decidiu que tínhamos de subir o resto das escadas porque ela teria uma promessa pra cumprir e queria ir dar esmolinhas a santa… ora uma pessoa chega lá cima cansada e inda tem o prazer de ser vendada e levada não sabe muito bem pra onde. Apoiada em alguém, que na ultima semana me perguntou não sei quantas vezes se não confiava nela (visto que eu passei a semana a fazer perguntas), fui levada a dar a volta quase toda a igreja. Quando chegamos do outro lado e, finalmente me deixou destapar os olhos, qual não foi o meu espanto quando vejo todos aqueles que supostamente estariam em casa a fazer tempo pra irem pró meu jantar, sentados em redor da mesa com cara de santinhos… pois é. Festa surpresa! O meu jantar foi cancelado no restaurante e transferido pró alto da Senhora do Castelo.
No decorrer da festa, levei com pate no nariz, água com arroz pela cabeça a baixo, com licor de chocolate no decote, com bolo ESFREGADO na cara… tudo coisas que os amigos costumam fazer diariamente uns aos outros…
Mas, apesar de tudo, ADOREI!!! Vocês são fantásticos, únicos, os melhores…


Mana

Antes de mais OBRIGADA!!! Não só pela tarde/noite de sábado mas, principalmente, pelo esforço descomunal que fizeste pra aquilo ter saído assim (esta parte só nós é q percebemos). Fizeste-me andar a fazer figuras tristes à procura de um ovo Kinder… quase de gatas a espreitar nos buraquinhos todos dos muros. Andei de olhos vendados e perguntaste-me se não confiava em ti… sabes bem que confio! Em ti confiaria a minha vida, por ti poria as minhas mãos no fogo sem nunca ter medo de me queimar…
Amo-te mais que tudo! És a melhor gémea q alguém pode ter..

PS- Amor, deixa-me só ensinar-te uma coisinha… ao sábado à tarde as lojas estão todas, ou quase todas, fechadas.


Flávia

A minha outra metade! Separadas estamos incompletas, juntas somos a Puta perfeita. Tu com os teus calções (que eram uma pouca vergonha deixa-me que te diga) e eu com o meu lindo decote (que n é assim tão exagerado como vocês dizem mas pronto). Bom, tu sabes o que significas pra mim por ixo não há mt mais pra dizer. Muito obrigada por tudo!
Amo-te muitão!

PS- Eu não me esqueci que tu tb andaste metida naquilo da água com o arroz…
Ah e outra coisa… n axei piada teres-me andado a deitar licor no decote. Da próxima vez faço-te lamber…


Marlene

Já soube que foste uma das principais intervenientes desta tramóia toda… Achas bonito???? Andares a enganar-me desta maneira… vá agora a sério. Obrigada! Gostei muito da surpresa!

PS- não gostei de não me teres deixado pagar tb. Deves axar que eu sou alguma tesa.lol
Ah já me ia esquecendo... eu sei q foste tu qem escondeu o meu ovinho... devias ter vergonha. Esconderes-me o meu Kinder é o mesmo q roubares um chupa a uma criança...



Jerome

Bom, tu hás-de pagar. Que merda foi aquela de me andares a dar banho? Inda por cima com arroz… que eu me lembre não casei. Os noivos é que levam com arroz. Sabes que mais???? ÉS UM FILHO DUMA CABRA!!! (sem ofensa à tua mãezinha que não tem culpa nenhuma do filho destravado que tem). Ah e não me esqueci tb que foste tu que me seguraste pra Sara andar a divertir-se a esfregar-me bolo na cara…
No entanto tas mais ou menos perdoado. E obrigada a ti tb por teres estado lá… mas vê lá se da próxima chegas a horas…


Jessica

Já não te via há bués e gostei mt de voltar a ter a minha companheira das aulas de inglês do meu lado. Obrigada não só por tb estares metida nesta treta toda mas pela companhia até casa… agora que já sabes onde vivo já podes ir visitar-me…
No entanto fiquei deveras indignada contigo por teres-me posto pate no nariz… da próxima róis.


David

Eu bem sei que tu andaste sempre a par de tudo com a Marlene. Já nem nos mais recentes familiares se pode confiar… devias ter vergonha!


Marta

Oh miúda tu tas cada vez pior. Se visses as figuras que andaste a fazer com o resto da cambada até tinhas vergonha… e como se ixo não bastasse vais sem casaco, com um decote de impor respeito (era uma autentica pouca vergonha) e inda te sentas nos bancos do BP como se fosses a mulher elástico… tu hás-de ser velhinha e não tens problemas de articulações com essa ginástica toda…


Denis, Carla, Daniela, Margarida, Ana

Bem vocês são as santinhas de serviço. Se não fossem vocês aquilo era o cumulo. Só mesmo meninas bem comportadas como vocês e que conseguem equilibrar aquilo. Obrigada a todas!



Já no fim da noite, estávamos só os mais resistentes… eu (a mais normal de todos), a Sara cheia de fome, a Flávia sentada no passeio toda aberta como uma prostituta (não digo puta pq isso somos as duas), a Marta cheia de frio, e o Jerome que aquela hora já deveria estar em casa mas ficou a fazer-nos companhia…


A todos aqueles que estiveram lá deixo um MUITO OBRIGADO!!! Só vocês poderiam ter feito duma simples festa de anos uma grande rambóia…


Adoro-vos a todos!