É neste momento meia noite e catorze minutos e sendo dia de semana já deveria estar a dormir uma vez que amanhã às nove da manhã terei o prazer de ter mais uma bela aula de Energia dos Processos Metabólicos, mas não tenho sono. Talvez seja por causa do café tomado fora de horas, mas não me parece. A verdade é que me deitei a pensar no que não devia, ou melhor já estava eu deitada quando me surgiram nomes, cenas, pessoas à cabeça.
Durante todos os meus longos 19 anos de vida tenho-me cruzado com muitas pessoas. Muitas delas já nem fazem parte das minhas memórias e depois há aquelas que teimam em não desaparecer mesmo com o passar dos dias, das semanas, dos meses e até dos anos.
Conheci muitas pessoas que me magoaram muito (nada que não seja normal. Toda a gente ja sofreu decepções com pessoas das quais gostava), conheci aquelas que nem me aqueceram nem me arrefeceram e depois vêm aquelas que me marcaram para sempre. Algumas delas ainda hoje estão comigo (mais ou menos), outras nem por isso. Das pessoas incluídas neste último "pacote" sinto falta todos os dias. Não que passe o dia a lembrar-me ou a pensar nelas, mas há sempre qualquer coisa que me faz "ter aquele clic". Piadas sem piada nenhuma, frases inocentes num determinado contexto que se forem ditas sem mais nada e com uma bela mente pervera podem dar motivo a uma boa gargalhada, aquela música que não sei porquê me faz lembrar alguém, pequenas coisas que me fazem lembrar esta ou aquela pessoa.
No fundo nada disto é surpreendente, nada disto é fora do normal e daria de facto motivo para estar a escrever textos no blog a estas horas, mas é isto que me está a tirar o sono, são estas pessoas que não me deixam simplesmente desligar o cérebro e dormir.
Gostava bastante de saber o que é feito de algumas dessas pessoas. Pessoas que já não vejo há tanto tempo que já nem me lembro de quando foi a última vez. É verdade que de vez em quando vou tendo notícias delas por vias indirectas, mas já nada é como era. O normal. Crescemos, mudámos de vida, os caminhos separaram-se e não me parece que se voltem a cruzar. Tenho que me conformar com isso.
Perdi pessoas que não queria ter perdido e a cada minuto que passa aumento a probabilidade de perder mais uma. Talvez tenha de ser mesmo assim ou talvez ainda tenha a oportunidade de salvar algumas das amizades que ainda me restam. Quem sabe se ainda vou a tempo...