segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sou um animal de hábitos! Sim, sou um animal e não gosto da maior parte das mudanças. Detesto o fim das coisas, detesto perder coisas. E entenda-se por coisas pessoas, objectos, momentos, tudo. Não gosto de finais e pronto!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Gosto do movimento da cidade! Da forma como os apressados conduzem de maneira agressiva e apitam aos que com toda a calma do mundo deambulam ao volante por entre rotundas e cruzamentos. E aposto que muitos são aqueles que não tendo um sitio realmente para onde ir, aqueles que, tal como eu, gostam simplesmente de andar pela cidade ao volante, rezam para que o trânsito esteja um caos para poder ouvir aquela música que passa no rádio antes de chegar a casa.
E depois há os que andam a pé. Ou porque são mais amigos do ambiente ou porque o preço dos combustíveis está pela hora da morte. E a passos lentos ou apressados, de fones nos ouvidos ou a ouvir o barulho da cidade que se faz sentir nesta hora no centro da Veneza portuguesa, encaminham-se para casa, ou para qualquer ouro lugar.
Eu, que sou uma pessoa estranha, gosto de ficar a observar as pessoas nas suas rotinas, a imaginar o que lhes passará pela cabeça neste momento em que a chuva ameaça cair a qualquer instante e mesmo assim não está frio. Alguns serão aqueles que não têm na cabeça mais do que a música que ouvem, outros serão que pensam no trabalho, nos filhos, no marido/mulher, no namorado/a, em dinheiro, na crise, em sexo.
Não interessa o que lhes passa na cabeça, interessa observar a forma como andam. E enquanto uns andam de cabeça erguida como se desfilassem numa passerelle outros são que caminham cabisbaixos ou porque a vida não é o sonho perfeito que deveria ser ou porque esta chuva miúda não permite andar de cabeça levantada e com os olhos bem abertos. A verdade é que poucos são aqueles que cantam, ou sussurram a música que o telemóvel ou iPod tocam, poucos são aqueles que vão no meio da rua a falar sozinhos ou que estão constantemente a rir das maiores parvoíces quando vão no meio da rua. Sim, eu faço tudo isto porque, e eu sei disso, não jogo com o baralho todo. E que importa isso? Por não jogar com o baralho todo que os outros criaram posso criar e jogar com as minhas próprias cartas. Cartas sérias ou nem tanto, coloridas ou cinzentas tanto faz. São as minhas cartas, cartas que não trocava, cartas que completam a parte normal do baralho comum. Se sou mais feliz assim? Não sei. Talvez sim ou talvez não, não tenho a certeza. Mas e quem tem? Quem é que possui as cartas perfeitas, as regras do jogo que não permite batotas, que não permite que quem as possui perca uma ou outra vez ao longo do tempo. Eu tenho perdido, tenho ganho, e jogo com as cartas que criei e tal como no Yu-gi-oh confio no coração das minhas cartas.
E por não ter um Blue Eyes White Dragon e outras tantas criaturas mágicas que protegem os meus pontos de vida sou atacada diretamente onde mais dói, mas mesmo que os pontos de vida cheguem a zero aprendo que aquelas cartas não podem ser jogadas em conjunto e que aquela não é a melhor estratégia de jogo. E assim reúno as minhas melhores cartas e desafio outro jogador para mais um jogo de tudo ou nada, em que tenho sempre cinquenta por cento de probabilidades de ganhar.
E ao longo do caminho, com mais ou menos batalhas, mais ou menos vitórias luto para escolher sempre as melhores estratégias e no final ter na mão as cinco cardas que constituem o Exódia.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sinto falta do tempo em que escrever era uma necessidade, dos dias em que o tempo era pouco para tanto que tinha para aqui pôr, dos momentos que passava com esta mesma página aberta. E de como tudo isso era fácil e natural.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Palavras! São tantas e ao mesmo tempo tão poucas.
Quando não devem, saem em catadupa como se se tratassem de ar a ser expelido dos pulmões. Quando devem sair, ficam presas na garganta como se de um choro abafado se tratasse.
Palavras são proferidas por mil e uma razões e deixam de o ser por outras tantas.
Palavras de raiva são despejadas e queimam a pele de quem as ouve como brasas incandescentes provenientes do mais profundo dos círculos do inferno, mas tornam quem as grita num alguém liberto.
As palavras podem ser gritadas com tamanha força que quem as gritas sente o vibrar das cordas vocais e mesmo assim, ninguém as ouvir. Podem ser sussurradas... e aí podem ser ouvidas apenas por uma, ou por todas as pessoas que ali se encontram.
Há palavras que não são proferidas apenas porque o outro é tão insignificante que não vale a pena. E do lado oposto deste mundo de insignificância ou desprezo existe um outro totalmente diferente mas que se encontra com este num ponto... o ponto do silêncio. Porque quando duas almas são tão próximas, que por vezes se confundem e se misturam como se formassem uma só, tudo é dito entre olhares cúmplices e gestos coordenados.
As palavras também são escritas! Palavras como as que pintam esta minha tela de desabafos e confissões. Palavras que são escritas para alguém especial, que são escritas para ninguém ou por um alguém que por aqui passe. Palavras que são aqui deixadas como marcas de uma queda que ficam gravadas na pele durante toda uma vida. E as quedas são tantas... e no entanto, algumas doem menos que palavras ditas sem querer ou com a intenção de magoar. E como magoam! Como magoam, as palavras que não são mais que silabas constituídas pela pequenez de letras umas a seguir às outras mas que têm o poder de mudar o mundo. Que têm, tiveram e terão sempre, a capacidade assustadora de mudar o meu mundo! Mundo que é salvo da ruína pelas palavras certas mas que pode ruir de novo quando as palavras erradas são ditas ou caladas no momento chave.
As palavras não são mais do que a escapatória de todas aquelas pessoas, que tal como eu, não se sabem exprimir de outra forma. De uma outra forma mais pura e mais verdadeira porque as palavras podem ser escolhidas. Cada palavra pode ser escolhida de maneira cautelosa e caprichosa de modo a distorcer tudo aquilo que se queira, de modo a fazer as coisas parecerem o que não são... De forma directa, as palavras são o meio mais fácil de mentir e manipular tudo aquilo que não se quer admitir como verdade. As palavras protegem de uma forma que mais nenhuma forma de comunicar o permite. Porque nada é mais perigoso e mais falso que as palavras!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Às vezes parece que o mundo abranda! E mesmo continuando a ouvir o tic tac do relógio no ritmo habitual, parece-me que o tempo está parado.
E enquanto o Sol ainda se exibe no céu como sendo o Mestre do Mundo fico a ver todas as coisas que também abrandam... os carros desfilam pela rua, as folhas das árvores dançam ao sabor do vento, os gatos brincam lá em baixo, as nuvens afastam-se para deixar o Sol brilhar em toda a sua plenitude e depois voltam a escondê-lo como um menino envergonhado que se esconde atrás da saia da mãe ao mesmo tempo que espreita com um ar curioso.
E a pouco e pouco, no mesmo ritmo lento a que todo o mundo se move, a toda poderosa esfera de fogo que nos ilumina começa a descer no horizonte. E a cada passo que dá em direcção ao mar como se nele se quisesse afogar, o céu muda de tons e cores numa panóplia que vai desde o mais belo dos azuis até ao mais quente dos vermelhos. E finalmente, esta palete de cores acaba no mais escuro dos negros ponteado por aqueles pequenos pontos luminosos que enfeitam o céu como diamantes e que fazem sonhar tanta gente.
E enquanto aquela a quem chamam grande conselheira cai, as luzes da cidade começam a acender lentamente lá ao fundo, onde parece que o mundo acaba e mais nada existe. Mas até isso é uma ilusão... nada acaba ali a não ser o que a vista alcança. Mas para lá daquela linha de horizonte encontra-se umas das coisas mais contempladas. O mar! Parece-nos azul, mas é só ilusão de óptica. No entanto existem poucas coisas tão bonitas como o prateado que nele se vê quando o sol alto lhe incide ou a maravilha que é ver o pôr do sol sentada na areia. E mesmo quando o dia está nublado e o sol não ilumina o mar ele continua a ir e a vir num movimento perfeito e sincronizado que acalma a mais feroz das almas. E é por isso que tantas vezes tenho vontade de sair de casa e ir para a praia só para ficar sentada na areia a olhar o movimento das ondas que cada vez que recuam levam mais uma preocupação, mais uma angústia ou mais uma parvoíce qualquer que me assombre. E cada uma das ondas que rebenta na areia traz qualquer coisa de bom que não sei bem o que é mas que me liberta.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

É tudo sem ser nada! Ou é tanta coisa que não dá para perceber onde começam umas e acabam outras. A verdade é que não sei...
As saudades de algumas coisas corroem e no entanto existe em mim uma vontade infinita de cantar a plenos pulmões. E como se o mundo fosse acabar dentro de instantes, o volume da música está no máximo e sente-se o pulsar das batidas da bateria e dos solos de guitarra eléctrica e no entanto continua a parecer-me demasiado baixa...
E contrariamente ao que acontece tantas vezes, não existem músicas desadequadas para o meu estado de espírito. E assim as músicas sucedem-se umas às outras numa mistura estranha de Adele, Metallica, Scorpions e Andrea Bocelli, entre uns quantos outros que não têm grande coisa em comum. Porque hoje não interessam batidas, ritmos ou letras, importa apenas o volume da música e que estas me permitam cantar em surdina, porque apesar de me apetecer cantar o mais alto possível não posso devido às horas :)
Sinto-me esquisita, num misto de euforia, descontentamento, melancolia e desespero. Sou eu, complicada como na maior parte das vezes!

sábado, 1 de outubro de 2011

Coiso! É, muito provavelmente a única coisa que me disponho a dizer em dias como hoje. Não estou bem nem mal, nem feliz nem triste, apenas apática e melancólica. Não estou com disposição de fazer grande coisa apesar de ter muitas para fazer. Mas como o corpo não está com grande vontade de colaborar fico-me pelos pensamentos que divagam entre Aveiro e Mangualde, as pessoas de cá e de lá e tudo o que disso advém. Além disso só o divagar de uma mente que já correu não sei quantos lugares até se restringir à minha triste realidade de viver confinada entre duas cidades.
E enquanto se revive e inventa umas quantas situações cresce a vontade de algo novo, qualquer coisa que me tire desta rotina...
E como neste momento nada é maior em mim do que a preguiça até a música caiu num ciclo vicioso de repetições...




Adele- Set fire to the rain