quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Gosto do movimento da cidade! Da forma como os apressados conduzem de maneira agressiva e apitam aos que com toda a calma do mundo deambulam ao volante por entre rotundas e cruzamentos. E aposto que muitos são aqueles que não tendo um sitio realmente para onde ir, aqueles que, tal como eu, gostam simplesmente de andar pela cidade ao volante, rezam para que o trânsito esteja um caos para poder ouvir aquela música que passa no rádio antes de chegar a casa.
E depois há os que andam a pé. Ou porque são mais amigos do ambiente ou porque o preço dos combustíveis está pela hora da morte. E a passos lentos ou apressados, de fones nos ouvidos ou a ouvir o barulho da cidade que se faz sentir nesta hora no centro da Veneza portuguesa, encaminham-se para casa, ou para qualquer ouro lugar.
Eu, que sou uma pessoa estranha, gosto de ficar a observar as pessoas nas suas rotinas, a imaginar o que lhes passará pela cabeça neste momento em que a chuva ameaça cair a qualquer instante e mesmo assim não está frio. Alguns serão aqueles que não têm na cabeça mais do que a música que ouvem, outros serão que pensam no trabalho, nos filhos, no marido/mulher, no namorado/a, em dinheiro, na crise, em sexo.
Não interessa o que lhes passa na cabeça, interessa observar a forma como andam. E enquanto uns andam de cabeça erguida como se desfilassem numa passerelle outros são que caminham cabisbaixos ou porque a vida não é o sonho perfeito que deveria ser ou porque esta chuva miúda não permite andar de cabeça levantada e com os olhos bem abertos. A verdade é que poucos são aqueles que cantam, ou sussurram a música que o telemóvel ou iPod tocam, poucos são aqueles que vão no meio da rua a falar sozinhos ou que estão constantemente a rir das maiores parvoíces quando vão no meio da rua. Sim, eu faço tudo isto porque, e eu sei disso, não jogo com o baralho todo. E que importa isso? Por não jogar com o baralho todo que os outros criaram posso criar e jogar com as minhas próprias cartas. Cartas sérias ou nem tanto, coloridas ou cinzentas tanto faz. São as minhas cartas, cartas que não trocava, cartas que completam a parte normal do baralho comum. Se sou mais feliz assim? Não sei. Talvez sim ou talvez não, não tenho a certeza. Mas e quem tem? Quem é que possui as cartas perfeitas, as regras do jogo que não permite batotas, que não permite que quem as possui perca uma ou outra vez ao longo do tempo. Eu tenho perdido, tenho ganho, e jogo com as cartas que criei e tal como no Yu-gi-oh confio no coração das minhas cartas.
E por não ter um Blue Eyes White Dragon e outras tantas criaturas mágicas que protegem os meus pontos de vida sou atacada diretamente onde mais dói, mas mesmo que os pontos de vida cheguem a zero aprendo que aquelas cartas não podem ser jogadas em conjunto e que aquela não é a melhor estratégia de jogo. E assim reúno as minhas melhores cartas e desafio outro jogador para mais um jogo de tudo ou nada, em que tenho sempre cinquenta por cento de probabilidades de ganhar.
E ao longo do caminho, com mais ou menos batalhas, mais ou menos vitórias luto para escolher sempre as melhores estratégias e no final ter na mão as cinco cardas que constituem o Exódia.

2 comentários:

Flávia disse...

Só por este post se nota que nao jogas com o baralho todo...ahah mas adoro o baralho com que jogas. adoro a forma como escreves. adoro a forma como começaste a falar do que te rodeia, das suas vidas, e terminaste falando na tua, sem nunca se ter percebido a "mudança de tema". adoro a subtileza com que brincas com as palavras. e adoro-te também a ti MPP :)
Saudades tuas.....
Bjinho

Sílvia disse...

Obrigada amoreee *.*
Eu tb tenho saudades tuas MPP!
Beijinhos